Prefeito cobra mudanças da PM após agressões cometidas por comandante

Prefeito José Luiz recebeu o capitão Edson e tenente Matos para reunião no gabinete

Em reunião na tarde de quarta-feira (14), na Prefeitura, representantes do Executivo, Legislativo e Polícia Militar discutiram os rumos da segurança pública na cidade após o caso de agressão ocorrido cometido um dia antes pelo comandante do destacamento local da PM contra pai e filho, um adolescente de 14 anos. As imagens registradas no local do fato, um supermercado, repercutiram nos principais meios de comunicação da região, Estado e mesmo do país.

Estavam presentes o prefeito José Luiz de Figueiredo, o vice-prefeito Alexsandre de Lima (Alex), o presidente da Câmara Municipal, Joaquim Manoel dos Santos (Quinzinho) e o vereador Renato Leal de Souza, além do tenente José Carlos de Matos (comandante do batalhão de Cabo Verde) e o capitão Edson Nogueira Benjamin (comandante do 242ª Companhia da PM de Poços de Caldas).

Logo no início da reunião, iniciada por volta das 14h, o prefeito falou que aquele seria o momento de buscar uma solução definitiva para o problema de segurança na cidade “que já vem de longe, de mandatos anteriores” e que se agravou ainda mais com a atitude do então comandante do destacamento, sargento Alexsander Coelho Fernandes. “Damos todo o suporte para a PM e por isso mesmo a sociedade cobra primeiro da gente, do prefeito, e com todo o direito”, comentou José Luiz que foi direto ao cobrar uma mudança profunda no destacamento. “Quero que seja trocado todo o policiamento da cidade, pois do jeito que está não pode continuar. Acredito que o respeito com os policiais daqui será ainda menor”, argumentou.

O vice-prefeito Alex acrescentou que a credibilidade da corporação ficou completamente comprometida na cidade com o comportamento apresentado pelo sargento. “Isto hoje é o assunto da cidade e é a manchete de todos os jornais, infelizmente”, relatou.

Câmara cobra

Já o presidente da Câmara, Quinzinho, disse que há tempos a população vem cobrando uma melhor postura dos policiais da cidade para diversas situações que não são coibidas, como motoristas que executam manobras arriscadas (cavalinho de pau, por exemplo) nas vias da cidade. O vereador ainda citou que até houve melhora durante os cerca de seis meses de comando do sargento Alexsander, que com as agressões “jogou todo o trabalho fora”.

O também vereador Renato falou aos comandantes que as imagens geraram enorme revolta em toda a população e demonstraram total despreparo do sargento para aquela função. “Isto veio de uma pessoa que recebeu treinamento e passou por exames psicológicos. A comunidade quer uma resposta da Polícia Militar, que é uma das corporações mais respeitadas do país”, questionou.

“Atitude condenável”

Capitão Edson, que comanda a 242ª Companhia de Poços de Caldas, informou que sua presença naquela reunião era para demonstrar como seria a relação da PM com o Município a partir dali. “É um momento delicado em relação a segurança pública em todo o país e a corporação preza muito pela sua imagem”, frisou. Na ocasião ele reafirmou as primeiras medidas, como o afastamento do sargento Alexsander do comando e a sua transferência de cidade. “Ele está preso, atrás das grades. Chorou muito e sabe que pôs tudo a perder”, acrescentou.

O comandante relatou que o sargento responderá processo administrativo e processo na Justiça Militar que possivelmente remeterá o caso para a Justiça comum. “Foi uma atitude condenável, absurda. Ele será punido severamente, com o risco de perder o emprego. Não passamos a mão da cabeça dele. Se ele tivesse ido para uma delegacia, teria assinado um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência) de lesão corporal e estaria na rua no mesmo dia. Mas está preso”, disse no dia seguinte as agressões.

Fiscalização no destacamento

Outro problema originado pelo afastamento do sargento, o comando do destacamento, também foi citado pelo capitão Edson. Ele informou que não seria transferido nenhum policial militar para a cidade de imediato, em função do baixo efetivo registrado no Estado. “Divisa Nova tinha oito policiais destacados e vai ficar com sete. Teremos uma formatura de sargentos em breve e pode ser que consigamos enviar ao menos um ou dois pra cá”, se comprometeu.

Em relação ao pedido do prefeito, ele disse que levaria a reivindicação ao comando da 18ª Região da Polícia Militar de Poços de Caldas, mas que acreditava ser muito difícil uma mudança total, por questões administrativas e até de direito. “Se estivesse no lugar do senhor faria o mesmo pedido. O sentimento que levarei para o comando é de que algo precisa ser feito em relação a prestação do serviço da PM em Divisa Nova, pois não estamos tendo legitimidade perante a população”, afirmou o capitão Edson.

Enquanto não há uma resposta, o comandante da 242ª Companhia se comptometeu a aumentar a fiscalização e a supervisão no destacamento local da PM. “em nome da Polícia Militar pedimos desculpas a toda a comunidade pelas atitudes do sargento Alexsander”, completou.   

Solto

Quinta-feira (15), dois dias após o caso, o sargento Alexsander foi solto da prisão a que era mantido na sede da Companhia, em Poços de Caldas. No entanto todas as medidas administrativas e da justiça contra ele, como o inquérito, estão mantidas.